quarta-feira, 15 de março de 2017

MÖRIKE LIEDER



Saudações, meus caros!
Na última segunda-feira, 13/03, foi o aniversário do Hugo Wolf. Um dos compositores que mais gosto e que, infelizmente, teve umas das vidas mais desafortunadas. Não fosse o trabalho de divulgação de amigos como Gustav Mahler, e posteriormente de músicos preocupados em manter seu legado vivo, a obra de Wolf encontraria-se ainda obscurecida. 
Para hoje resolvi trazer as canções do ciclo Mörike-Lieder que tanto cativam os fãs. Ao todo são 53 canções baseadas em textos escolhidos do poeta alemão Eduard Mörike. Seus poemas escritos em linguagem simples e natural tratavam de uma gama de assuntos caros ao romantismo e que foram um prato cheio para um compositor tão temperamental quanto Wolf.
Ao ter contato com esses poemas, Wolf encontrava-se em uma crise artística que o impedia de compor uma melodia sequer. Coincidindo com esse período de crise, seu pai veio a falecer agravando mais ainda o estado desanimador em que se encontrava.  Os poemas do Mörike serviram, portanto, como consolo e mola propulsora para superar os problemas. O resultado de tanta energia e carga emocional envolvida foi um sucesso e consiste em um dos ciclos mais amados pelos fãs. Daqui vieram muitas de seus mais célebres lieder, que muito contribuíram para equipará-lo a compositores como Schuber, Schumann e Brahms. 
Com esse ciclo, percebemos a forte teatralidade de suas composições: a música encontra suas ideias e motivos oriundos do próprio texto que, se em um primeiro momento parece submisso ao conteúdo da palavra, seu desenvolvimento tende a sublimar tal dependência e até inverter o quadro promovendo uma inflexão no texto para garantir o fluxo contínuo da música.
Este registro que lhes trago é estralado por uma excelente dupla de intérpretes, a soprano inglesa Joan Rodgers e o barítono alemão Stephan Genz, cujos lirismo e solvência das vozes adéquam-se com precisão as linhas vocais. Destaque também para Roger Vignoles, o pianista da empreitada. 
Boa audição!

CD's [FLAC]

domingo, 1 de janeiro de 2017

2017, e agora?

Saudações, leitores!

2016 se vai sem deixar muitas saudades e o que fica pra mim é a expectativa de fazer diferente em 2017. Talvez mudar completa e desmedidamente, sem moderação, remorso e melancolia seja bom e valha a pena. É o que pretendo, o que tenho o que vou tornar real, no minimo tentar.  Cabe a cada um, diante de suas reflexões e pretensões, apostar decididamente e lutar. Desejo a todos muita saúde e sabedoria e ousadia. Em breve as atividades do blog serão retomadas. 

Abraços!

sábado, 19 de novembro de 2016

PAUSA

Cari amici

Sei que iniciamos uma jornada com a publicação e escuta de alguns álbuns da extensa discografia da Birgit Nilsson. Talvez vocês estejam ansiosos pelo próximo post ou curiosos, no mínimo. Mas hoje, infelizmente, o que venho anunciar é um pequeno hiato que estarei fazendo. Preciso de tempo e de uma nova reorganização de planos. Assim, voltarei no próximo ano para dar continuidade aos posts da Nilsson e trazer outras novidades. 

Abraços!

domingo, 6 de novembro de 2016

SALOME [G. SOLTI]


SALOME
(Richard Strauss)

Cari amici, depois do desenlace comovente da história de amor impossível entre Tristão e Isolda, continuaremos as postagens dedicas à Birgit Nilsson com outra história de "amor" igualmente impossível. Hoje lhes trago um dos mais empolgantes registros discográficos de Salome de Richard Strauss.
Uma brevíssima sinopse pode ser feita assim: Salomé é filha de Herodias e enteada de Herodes, Tetrarca da Judeia. Numa noite, Salomé estranha a forma como é olhada pelo seu padrasto e decide sair pra o pátio, onde ouve as vozes de um prisioneiro, João Batista. Curiosa para conhecer o homem que fala tantas acusações, ela seduz e convence Narraboth, soldado recém promovido a chefe da guarda, a permitir que o cativo venha do calabouço que o prende à superfície. Nesse encontro, Salomé é tomada por fascínio e desejo por aquela figura. Ela confessa seu amor pelo profeta, mas este a recusa e censura, fazendo com que a paixão da princesa cresça com mais violência. João Batista, ao saber que a princesa é filha de Herodias, objeto de seu total repúdio e desprezo, ofende e "castra" as suas vontades. Com seu orgulho ferido, Salomé aceita o pedido de Herodes de dançar para ele, depois do assediador tetrarca prometer que lhe daria o que desejasse. Após a dança, a jovem brada que quer servir-se da cabeça do evangelista numa bandeja e um relutante e inconformado Herodes atende o pedido. Com a bandeja nas mãos, segue um dos monólogos mais lascivos e vingativos da literatura, onde a princesa desdenha da condição do profeta e exulta todos os seus prazeres. E é assim, que um escandalizado Herodes ordena que os soldados a matem. 
A composição da dessa ópera foi iniciada após Strauss assistir uma apresentação da peça teatral de Wilde traduzida para o alemão, na qual o texto causara-lhe tanta impressão que chegou a confessar ter ouvido na fala de Narraboth a sugestão de uma melodia. Seguiu-se em um ritmo febril o processo de composição e, dentro de um ano, Strauss já havia concluído e orquestrado a partitura. Estreada em 1905, o resultado de um trabalho tão inspirado é assaz impressionante pelas demandas orquestrais e as linhas vocais sem paralelo. Uma música que segue construindo um mosaico de dimensões arquitetônicas da corte decadente e imoral, expondo e aniquilando o curso de personagens tão obsessivas. Em conjunto com Elektra, composta alguns anos depois, Strauss prepara o público para explosão expressionista que, na segunda década do século XX, alcançaria o universo da música.
Neste registro que lhes trago, temos mais um fruto da parceria Nilsson & Solti e que tornou-se um clássico, além de ser a primeira gravação stereo da ópera. Solti se sente a vontade e pode-se perceber o quanto a sua batuta esteve excitada nas marcações de uma música tão inebriante e violenta. A cena final é uma das mais explosivas já feita
O papel da atraente e nefasta princesa da Judeia requer uma soprano de voz bastante volumosa e de uma registro agudo bastante seguro. Além disso, acompanhar as nuances psicológicas personagem é um trunfo a ser conquistado, pois a anti-heroína da trama experimenta todos os dissabores e, ao final, sabores de sua paixão não correspondida. A Salomé da Birgit Nilsson ganha vida e vontade de forma estritamente musical, baseando-se na música da personagem e nas qualidades técnicas e timbrísticas da soprano, sempre atenta a tônica das palavras e da partitura. A dimensão extramusical pode ser encontrada na figura dançante da Christel Goltz ou no enfoque mais teatral/literário dado pela Astrid Varnay, outras duas grandes interpretes do papel-título. .
O elenco que compõe os demais personagens é magnífico. O Waldemar Kmentt encontra nas melodias de Narraboth a possibilidade de explorar a forte atração sexual que seu personagem sente pela princesa em contraste com a figura apreensiva e temerosa que a Josephine Veasey faz do Pagem. Aqui, a cantora deixa como subentendido para o ouvinte a inclinação amorosa que o Pagem sente por Narraboth. O duo de monarcas decadentes se constrói nos esforços de uma exagerado Gerhard Stolze e no retrato rancoroso e cruel da Herodias da Grace Hoffman. Já o Eberhard Wächter canta com grande entusiamo os sermões e aspirações do evangelista, embora pareça desconfortável com o volume vocal que seu personagem demanda.
Então, amigos, espero que ouçam bem relaxados e de lubrificantes na mão (é brincadeiriha, hahaha). Boa audição!


Salome....................................................Birgit Nilsson
Jochanaan........................................Eberhard Wächter
Herodes................................................Gerhard Stolze
Herodias...............................................Grace Hoffman
Narraboth..........................................Waldemar Kmentt
Ein Page..........................................Josephine Veasey
Erster Nazarener........................................Tom Krause
Zweiter Nazarener....................................Nigel Douglas
Erster Soldat.....................................Zenon Kosnowski
Zweiter Soldat........................................Heinz Holecek
Ein Cappadocier..........................Theodor Kirschbichler
Ein Sklave............................................Liselotte Maikl
Erster Jude.................................................Paul Kuen
Zweiter Jude.........................................Stefan Schwer
Dritter Jude..............................................Kurt Equiluz
Vierter Jude.............................................Aron Gestner
Fünfter Jude............................................Max Proebstl

Georg Solti
Wiener Philharmoniker
Studio recording, 1961
CD [FLAC]

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

TRISTAN UND ISOLDE [G. SOLTI]


TRISTAN UND ISOLDE
(Richard Wagner)

Bem, algumas gravações da Madame Nilsson estavam em falta aqui no blog, por isso resolvi fazer algumas postagens, mesmo que poucas, dedicada àquela que esteve a frente das sopranos dramáticos de sua geração. Antes de continuar, quero informar que não tenho uma formação musical específica, tudo que aprendi foi lendo sobre Ópera, conferindo e avaliando outras opiniões e sempre de ouvidos atentos afim de formar eu mesmo uma opinião a respeito. Muitas vezes minha opinião se altera e antes o que era um "sim, amei" torna-se um verdadeira exclamação de desgosto. Peço que não me levem a sério, só quero apenas tornar mais atrativo os posts e que vocês, caros leitores, se sintam à vontade para comentarem também. Terminada minhas desculpas iniciais, podemos ir direto ao ponto e falar da Birgit Nilsson - e por hoje, especialmente de sua Isolde!
A soprano sueca e a trágica heroína tiveram uma relação bem proveitosa e segundo palavras da própria Nilson, "Isolde a fez famosa". A primeira vez que cantou o papel foi em 1953, enquanto integrava a Academia Real de Música de Estocolmo, e em seguida manteve a personagem em seu reportório por mais de duas décadas.
Confiante de sua técnica vocal aliado as próprias qualidades de sua voz, Nilsson enfrenta com bravura todas as demandas musicais da partitura. No 1º , por exemplo, o seu forte e preciso senso rítmico permite acentuar o texto e expressar com bastante energia os desejos de vingança de sua personagem alternados com momentos de reflexão sobre seu destino e atual condição. Seu desempenho no 2º Ato é um exemplo magistral do uso do diafragma no canto de uma extenuante tessitura e um legato bastante fluído. Por fim, no 3º Ato, não se percebe esforço algum na projeção de sua voz sobre a orquestra na execução de um liebestod avassalador que termina por coroar a soprano como a Isolde de sua época.
Foi uma consideração de fato resumida, mas tô começando e sou vagaroso, sem expectativas (risos!). Com a prática vou aprimorando o estilo da escrita e aprofundando no tema. Curiosamente, este registro que lhes trago corresponde única gravação em estúdio feita pela Nilsson da ópera completa. À frente da Filarmônica de Viena está o maestro Georg Solti que rege com uma dinâmica bastante violenta que, além de ressaltar os conflitos temáticos e filosóficos que permeiam a história, parece conferir a voz de nossa heroína certo nervosismo.
Preparem os lenços e curtam o som. Abraços!


Tristan..........................................................................Fritz Uhl
Isolde....................................................................Birgit Nilsson
Brangaene............................................................Regina Resnik
Marke.................................................................Arnold van Mill
Kurwenal.................................................................Tom Krause
Melot......................................................................Ernst Kozub
Hirt...........................................................................Peter Klein
Steuerman.................................................Theodor Kirschbichler
Stimme eines jungen Seemanns.......................Waldemar Kmentt

Georg Solti
Wiener Philharmoniker
Studio recording, 1960

CD [FLAC]

terça-feira, 25 de outubro de 2016

CAVALLERIA RUSTICANA [A. Erede]


CAVALLARIA RUSTICANA
(Pietro Mascagni)

Santuzza.............................................Renata Tebaldi
Turiddu..................................................Jussi Björling
Alfio..................................................Ettore Bastianini
Lola........................................................Lucia Danieli
Lucia..........................................................Rina Corsi

Alberto Erede
Maggio Musicale Fiorentino Orchestra
Studio recording, 1957

CD [FLAC]

*Não consegui os scans para este post. Caso alguém tenha, por favor, disponibilize os para download. Obrigado!